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O novo velho problema do “intenso tráfego aéreo” 04/08/2010 - Imprensa -É vergonhoso ler e escutar nos jornais que estamos enfrentando um “intenso tráfego aéreo” no período de volta às aulas no País. Porém, a demanda não é surpresa, já que o período de fim de férias é caracterizado por várias viagens, e a dificuldade de embarcar os passageiros reflete a incapacidade de quase oito anos.
O último final de semana de julho e os primeiros dias de agosto evidenciaram mais uma circunstância caótica nos principais aeroportos do Brasil. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) registrou atrasos em mais de 50% dos voos da Gol Linhas Aéreas nos dois primeiros dias deste mês. Somente na manhã da segunda-feira (2), data em que muitos voltam às aulas, 24% dos voos da Gol tiveram atrasos de mais de meia hora e 42 voos foram cancelados.
Ainda segundo a empresa do governo Federal, o índice de atrasos no Galeão (RJ) foi de 42,1%; Congonhas (SP) teve 26,6%; Guarulhos (SP), 24,7%; e Brasília (DF) registrou atraso de 21,4% nos voos. Ou seja, a incompetência no setor atrapalhou as viagens dos que queriam voltar para casa, e, com isso, milhares de estudantes perderam alguns dias de aula.
A Gol divulgou nota dizendo que os problemas são “reflexo do intenso tráfego aéreo na sua malha verificado na última sexta-feira”, quando a companhia precisou transferir voos do aeroporto de Congonhas, situado na zona sul da capital paulista, que fecha às 23h, para o de Guarulhos, localizado na Grande São Paulo. A manobra excedeu o limite de horas da jornada de trabalho de parte da tripulação e impossibilitou as partidas nos horários agendados.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que pediu explicações à companhia aérea sobre os atrasos e os cancelamentos dos voos, bem como a assistência prestada aos passageiros. Já a Infraero destacou que atuará em relação aos procedimentos de “auxílio operacional”. Ou seja, desde a CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados, realizada em 2007, nada foi feito pelos órgãos responsáveis pela fiscalização do setor aéreo comercial. O próprio Sindicato Nacional dos Aeroviários já havia avisado que os problemas de escala de trabalho da Gol acontece desde o mês de fevereiro e, até então, a Anac não agiu e deixou o transformo acumular para o pior momento.
Penso que isso não é nem mais uma gestão incompetente. No meu entender, não há gestão. O governo Federal pouco olha para os direitos dos cidadãos, mas não deixa de cobrar os seus deveres. Se estamos com um “intenso tráfego aéreo” agora, qual será a desculpa no período da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016?
Vanderlei Macris é deputado Federal pelo PSDB-SP e vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados.
Fonte:Deputado Vanderlei Macris

