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    1. Indústria e comércio debatem dificuldades em comissão da Câmara
      27/05/2009 - Imprensa -

      “Somos uma âncora na inflação”, foi o que destacou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, durante a audiência pública das comissões especiais destinadas ao Exame e Avaliação da Crise Econômico-Financeira do Comércio e da Indústria, realizada ontem (26), na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). O deputado Federal Vanderlei Macris (PSDB/SP), membro da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção Brasileira, participou do evento.

       

      O pronunciamento do presidente da Abit foi proferido em referência aos baixos números do setor de vestuário analisados de julho de 1994 até abril de 2009. Segundo ele, nestes últimos 15 anos, enquanto a inflação da educação foi de 351,5%; da alimentação chegou aos 160,48%; das despesas pessoais ficou em torno de 158%; a de vestuário não chegou a 20%, alcançando somente 19,93%. Diniz Filho também destaca que esse dado não é favorável para o país, e, aponta, somente, o quanto o setor têxtil no Brasil é desvalorizado.

       

      Apesar do descaso com o setor, o presidente da Abit destacou a relevância da área no país. “Somos o segundo maior empregador da indústria de transformação, com 8,5 milhões de empregos.” Ainda segundo ele, tal montante equivale a 69% das 12,4 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa-Família, programa do governo Federal.

       

      Questionado sobre as exportações do setor para a Argentina pelo deputado Macris, Diniz Filho disse que o governo portenho tem adotado medidas restritivas às importações. No primeiro quadrimestre deste ano, as vendas para a Argentina caíram 48,1% se comparados ao mesmo período de 2008.

       

      De acordo com o presidente da Abit, entre as propostas para a melhoria do setor estão: o foco maior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nas micro e pequenas empresas; a desoneração de produtos de vestuário considerados essenciais, como uniformes escolares e roupas profissionais; a redução da carga tributária que incide sobre o custo de energia elétrica para indústria, que atualmente é de 50%; e a valorização da indústria nacional nas compras, de setor têxtil, pelo governo brasileiro.

       

       

       

      Siderurgia e maquinário

       

      Também presente a audiência pública, o presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, argumentou que todos os países têm mecanismos de protecionismo aos seus artigos. Se dizendo contra a esse procedimento, Gerdau avalia que só com medidas de consumo será possível preservar o mercado dos produtos estrangeiros e garantir o desenvolvimento nacional.

       

      Gerdau também é enfático na crítica sobre a renda da população, que não propicia o consumo. “O Brasil continua com uma poupança baixa. A poupança na China rende quase 50%. No Brasil, é 20%, e o país não cresce mais do que 2,5%”, considera.

       

      Ainda segundo o presidente do Grupo Gerdau, os governantes brasileiros deveriam aproveitar a anormalidade do mercado mundial para fazer modificações na sua forma de atuar. “Com a crise todas as deficiências competitivas vieram à tona. O custo do capital torna a competitividade do país extremante limitada. O sistema tributário é completamente obsoleto”, pondera.

       

      Para Mário Bernardini, assessor da presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e palestrante na audiência, o importante agora é pensar em medidas e soluções horizontais que beneficiem a indústria como um todo, e não só na redução de tributos de uma ou outra mercadoria, como é o caso dos automóveis, geladeiras e fogões. Sobre os efeitos da crise financeira, o assessor julga que o Brasil retrocedeu três anos. “Vamos comprometer os próximos cinco anos”, conclui.

       

      A mesa da sessão foi coordenada pelos deputados Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), presidente da Comissão da Crise Econômico-Financeira do Comércio, e Albano Franco (PSDB/SE), presidente da Comissão da Crise Econômico-Financeira da Indústria, e com a participação do deputado Vanderlei Macris, membro da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção Brasileira.

       

       

      Fonte:Assessoria de Imprensa