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Estudo do BNDES vai definir se trem-bala é viável 30/04/2008 - Imprensa -“Ainda não temos nada concreto, o processo está bastante cru”, concluiu o deputado federal Vanderlei Macris ao término da audiência pública, realizada nesta quarta-feira, na Câmara dos Deputados, para debater o projeto de infra-estrutura do Trem de Alta Velocidade (TAV) que vai ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. As divergências de informações sobre o cronograma também deixaram dúvidas sobre a previsão de início e término das obras.
O deputado Macris, autor do requerimento para a realização da audiência pública, manifestou preocupação com o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter anunciado a licitação do projeto para outubro, antes de o BNDES ter concluído estudo de viabilidade da obra. “Eu sou totalmente favorável ao trem-bala, mas acho temerário o governo anunciar um projeto que ainda não se mostrou viável”, afirmou.
O representante do BNDES, Henrique Amarante da Costa Pinto, informou que os estudos de viabilidade técnica e econômica ficarão prontos em outubro para a partir daí, sendo viável o projeto, dar inicio ao processo para a abertura de licitação. Com isso, ficará para o primeiro semestre de 2009 o leilão de concessão para escolha do grupo responsável pela obra.
De acordo com o presidente da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, José Francisco das Neves, grupos de empresários japoneses e coreanos estariam interessados na construção do trem-bala.
O relatório de impacto ambiental também pode protelar o início das obras. Segundo o presidente da Valec, caso seja necessário novo estudo de impacto ambiental o projeto sofrerá atraso de pelo menos dois anos. Neves defendeu que seja utilizado o relatório produzido pelo Italplan, estudo no qual o governo se baseou para adotar o projeto do trem-bala.
O representante do BNDES declarou não ter nada contra o relatório da Italplan para subsidiar o relatório oficial, mas destacou que as negociações para tornar público o documento ainda não foram concluídas. “Enviamos um pedido para conhecer a íntegra do projeto da Italplan, mas a empresa não respondeu, talvez porque ela queira participar da licitação e não pretenda expor as informações que obteve”, informou Amarante.
O presidente da Valec também minimizou as preocupações referentes à demanda pela utilização desse tipo de transporte e disse que haverá procura de passageiros suficiente para viabilizar economicamente o projeto – estimado em 11 bilhões de dólares (cerca de R$ 18,7 bilhões) – sem a necessidade de aporte de recursos públicos.
O estudo da Italplan considera que, para não necessitar de recursos públicos, o trem-bala precisaria transportar pelo menos 32 milhões de passageiros por ano, sob uma concessão de 35 anos. Essa situação não se aplica ao trecho Campinas-São Paulo que poderá ser executado por meio de Parceria Público Privada (PPP).
Viabilidade
O trem-bala entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no final do ano passado. Este ano, o governo anunciou que Campinas também fará parte do projeto. Na próxima semana o governo deverá enviar Medida Provisória ao Congresso incluindo Campinas no projeto do TAV.Estudo elaborado pela Consultoria Legislativa da Câmara contesta, no entanto, a viabilidade da implantação da obra. O trabalho dos consultores sustenta que o projeto não poderá ser executado exclusivamente por investidores privados, sem aporte de recursos públicos, e contesta a experiência da empresa Italplan que elaborou o projeto e a previsão da demanda de passageiros para os próximos quatro anos.
Fonte:Assessoria de Imprensa/Agência Câmara

