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    1. Carga tributária, desoneração e competição desleal foram temas da audiência pública sobre indústria têxtil
      13/06/2007 - Imprensa -

      “Vamos marcar uma data para tocar fogo nos produtos chineses, assim que forem desembarcados dos navios nos portos brasileiros”. A frase é de proposta feita pelo presidente da Força sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, aos empresários do setor têxtil, reunidos na audiência presidida pelo vice-líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Vanderlei Macris (PSDB-SP), promovida pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

       

      O sindicalista afirma que as medidas governamentais para beneficiar o setor de têxteis e de confecção nacional foram positivas, mas ainda não insuficientes para resolver o problema do setor. Sobre a liberação de empréstimos ele dispara: “O BNDES gosta de emprestar dinheiro para rico. O empresário pobre vai quebrar”

       

      O coordenador de Política Tributária do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), Ronaldo Lázaro, lembrou que o pacote de medidas anunciado ontem pelo governo, inclui a possibilidade de suspensão do pagamento do PIS e Cofins na aquisição de matérias-primas e insumos. De acordo com Lázaro, sem isso não há possibilidade de as empresas do setor têxtil competirem com as de países como China e Índia. As medidas adotadas para combater fraudes também foram lembradas. “Mais de mil itens tarifários, com alíquotas que variam de zero a 20% – o que dificulta a fiscalização da Receita Federal sobre o setor. Apesar disso, desde 2005, tem havido ação concentrada que permitiu que de 80% a 90% de todas as importações fossem fiscalizadas. Como resultado, os preços dos produtos importados aumentaram de 9,30 dólares (cerca de R$ 18,13) em média, em março, para 14,30 dólares (cerca de R$ 27,88) em maio”

       

       

       

      SETOR TÊXTIL

       

      Presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Josué Gomes da Silva, explica que o setor investe cerca de R$ 2 bilhões ao ano na modernização do parque industrial, mas ainda tem dificuldades que fogem do controle de empresários e trabalhadores da área. “Desde o plano real, em 1994, o preço da energia elétrica foi reajustado em 370%, enquanto os produtos têxteis subiram apenas 17%. Temos o melhor algodão do mundo, mas é mais caro de fazê-lo chegar à indústria nacional do que importá-lo dos Estados Unidos, Índia ou África, por exemplo”.

       

      Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral de São Paulo (Sinditêxtil/SP), Rafael Cervone Netto, que também participou da audiência, a desoneração da produção é o principal ponto para melhorar a competitividade da indústria têxtil nacional. “Enquanto na produção de uma calça jeans paga-se 17% de tributos no Brasil, a Colômbia para zero”. Ele prevê que, se forem atendidas as reivindicações do setor, será possível gerar mais um milhão de empregos”.

       

      Representante da cidade que representa um dos pólos da indústria têxtil no Estado de São Paulo, presidente do Sindicato das Indústrias de Tecelagens de Americana e Região (Sinditec), Fábio Beretta Rossi, apresentou alguns exemplos das condições desleais em que o setor têxtil brasileiro compete com produtos estrangeiros. “No Brasil, o salário de uma costureira está em 2,80 dólares (cerca de R$ 5,46) a hora, na China o salário é de 0,76 centavos de dólar (cerca de R$ 1,48) nos centros industriais e de 0,48 centavos de dólar (cerca de R$ 0,94) no interior.

       

      Outra sindicalista, presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, Eunice Cabral, explica que o setor têxtil tinha mais de 2 milhões de empregos, que caíram para 1,5 milhão. Segundo ela, de 60% a 80% dos empregados nesse setor são mulheres, das quais 30% são jovens de 18 a 24 anos. Além disso, 40% são chefes de família. “De 2006 a 2007, o número de empresas de confecção caiu de 30 mil para 25 mil. O País está exportando mão-de-obra. Estamos perdendo o bonde da história de vender produtos com valor agregado”.

       

      A costureira afirmou que não há como aumentar a competitividade do setor reduzindo ainda mais os salários. De acordo com ela, dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que a média salarial do setor têxtil em abril era de R$ 382 e, em vestuário, R$ 375.

       

      No início da audiência, o diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Clayton Campanhola, explicou que o comércio exterior do Brasil hoje encontra-se sob dois tipos principais de pressão por parte de competidores: a “pressão por baixo”, que vem dos países que pagam pequenos salários e, com isso, podem produzir em larga escala e a preços menores, como a China; e a “pressão por cima”, que vem de países que investem em inovação e agregação de valor aos produtos. ” A saída, é o País investir em agregação de valor e diferenciação dos produtos. Não há como crescer copiando a China”, lembrou.

      Fonte:Ricardo Viveiros Oficina de Comunicação