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    1. Falta de programas
      03/06/2011 - Atuação Parlamentar -

      Especialistas criticam falta de programas para prevenção ao consumo de bebidas alcoólicas

      Mesa da audiência pública da Comissão Especial sobre as Causas e Consequências do Consumo Abusivo de Bebida Alcoólica do dia 31 na Câmara dos Deputados.

      Os especialistas em dependência química, Roberto Bittencourt e Walter Coutinho, criticaram a falta de programas para prevenção ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas durante audiência pública nesta terça-feira (31) na Câmara dos Deputados em Brasília (DF). Para Bittencourt, o alcoolismo acarreta mais mortes do que a tuberculose e a Aids, mas o governo não tem orçamento definido para a doença.

      Durante a audiência da Comissão Especial sobre as Causas e Consequências do Consumo Abusivo de Bebida Alcoólica solicitada pelo deputado Federal Vanderlei Macris (PSDB-SP), o médico especialista em saúde pública, dependência química e professor da Universidade Católica de Brasília, Roberto José Bittencourt, destacou que existem cinco razões “cruciais” para considerar a bebida alcoólica uma urgente prioridade de saúde nas Américas: as mortes relacionadas com bebida alcoólica; o consumo; os padrões de consumo; os transtornos motivados pelo consumo; e a bebida como sendo o principal fator de risco de mortalidade na região.

      O médico também destacou que, em 2002, de acordo com a Organização Panamericana de Saúde, uma pessoa morria a

      Bittencourt destacou que existem cinco razões “cruciais” para considerar a bebida alcoólica uma urgente prioridade de saúde nas Américas.

      cada dois minutos por causa do consumo excessivo de álcool nas Américas, e que as mortes de 69 mil jovens de 15 a 29 anos por causa do consumo abusivo eram evitáveis.

      De acordo com Bittencourt, o consumo de álcool nas Américas começa aos 10 anos e que, por isso mesmo, o problema é alarmante. “Entre os jovens é a droga predileta. Quem começa a beber na adolescência tem quatro vezes mais probabilidade de desenvolver dependência do que quem começa a beber na idade adulta”, argumenta o médico. “Precisamos enfrentar o problema com muito mais seriedade do que tem sido feito. O que mata mais, tuberculose, Aids ou alcoolismo?”

      Coutinho alerta que o país tem 186 Caps AD para 22 milhões de dependentes de bebida alcoólica.

      Para o consultor Walter Coutinho, o direcionamento do governo Federal aos portadores da doença do alcoolismo serem tratados nos Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps AD) não atende às necessidades. Segundo Coutinho, são 186 Caps AD para 22 milhões de dependentes de bebida alcoólica que só ficam internados pelo período de seis dias, tempo considerado insuficiente, já que a média necessária são 9 meses. “O álcool na saúde pública é a droga que tem maior prevalência”, observa.

      A secretária Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), Paulina Vieira Duarte, informou que, em pesquisa realizada, 28% dos adultos que consomem bebida alcoólica, bebem de uma a quatro vezes por semana e 11% bebem todos os dias.

      Cinquenta e dois por cento do total da amostra que bebem apresentam problemas: 38% têm dificuldades físicas decorrentes do uso do álcool; 18% têm problemas familiares; e 23% da população de 18 a 24 anos relatou problemas com violência.

      Questionada sobre o orçamento para a realização de prevenção e tratamento para os portadores da doença do

      “Nosso orçamento é insuficiente para ampliarmos o que tem sido feito”, explica a secretária Nacional de Políticas sobre Drogas, Paulina Vieira Duarte.

      alcoolismo, a secretária foi enfática. “Nosso orçamento é insuficiente para ampliarmos o que tem sido feito.”

      Para o deputado Vanderlei Macris, o governo precisa dar a devida atenção ao tema. “O Estado precisa tratar o assunto de maneira mais afirmativa. O álcool é uma droga lícita e o governo não tem mostrado capacidade de gerenciamento desse problema, que deixa o país cada vez mais doente, principalmente no meio da nova geração”, alertou.