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O papel da sociedade no combate à violência 13/09/2005 - Artigos -Conter a escalada do crime é hoje o principal objetivo da sociedade de São Paulo e do governo do Estado. A insegurança amedronta, traz a sensação de impotência diante de um problema grave e complexo e deixa na cabeça de cada um uma pergunta que não se cala: Onde isso vai parar? Têm razão os analistas que asseguram que o problema tem de ser atacado com a importância de uma guerra; afinal, é exatamente isso que os cidadãos estão enfrentando.
Porém, não é tão simples como se imagina que apenas a adoção de medidas efetivas contra a criminalidade por parte das policias são suficientes para derrubar as estatísticas de violência registradas diariamente, principalmente, no Estado de São Paulo. Conter o avanço da criminalidade com a disponibilização de recursos e capacitação de profissionais para atuar na área da segurança faz parte das obrigações do Estado. Implementar programas eficazes de combate a miséria e ao desemprego também constam no dever de casa do governo. Mas não é apenas isso que vai resolver os grandes problemas relacionados à criminalidade. A sociedade começa a sentir que a sua participação nessa luta pode ser o diferencial nas ações implementadas de combate a violência.
Hoje, depois de chegar a um ponto extremamente crítico, as pessoas começam a avaliar o problema de uma forma mais ampla, com a observação sobre o que a sociedade pode fazer para ajudar na solução desse grande problema. No conjunto de medidas, anunciadas na semana passada pelo governador Geraldo Alckmin de combate a criminalidade, está a criação de um Comitê de Integração de Ações Contra o Crime.
Trata-se de um comitê de trabalho, presidido pelo governador do Estado, com o envolvimento da sociedade civil. O objetivo é trazer a participação de especialistas da sociedade civil organizada, empresários e autoridades políticas para que eles possam dar a sua contribuição, com sugestões e discussões sobre a implantação de medidas que assegurem a diminuição da criminalidade.
O comitê terá a responsabilidade não apenas de dizer onde o governo deve investir para conter a criminalidade, mas, principalmente, identificar as ramificações das causas da violência e sugerir a adoção de programas direcionados às áreas especificas.
Com base nesses parâmetros acredito que, além da geração de emprego e o aprimoramento dos serviços essenciais como saúde, educação e habitação, o resgate da família mereça um enfoque especial. A desestruturação familiar é apontada hoje por especialistas como um dos principais responsáveis pela deterioração dos valores sociais.
De fato, pouco vai adiantar os investimentos de R$ 190 milhões previstos pelo governo do Estado no incremento à segurança se não houver mudanças estruturais e complexas na formação social. Um trabalho que precisa ser gerado em cada uma das pessoas para que possa expandir. Os movimentos de união contra a violência e pela paz podem ser o princípio de uma nova ordem para uma sociedade mais justa e humana e, principalmente, solidária.
Vanderlei Macris é deputado estadual
Fonte:Vanderlei Macris

