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Câmara Federal: um novo caminho
02/02/2007 - Vanderlei Macris
Não é raro ouvir algumas pessoas dizerem, em um tom de profundo desânimo, que preferem aos militares - referindo-se aos anos da ditadura - à democracia. Não concordo nem um pouco, mas não lhes tiro a razão de pensarem assim. Quando proferem que os governos militares eram melhores estão com o pensamento voltado exclusivamente às praticas de corrupção. Costumam dizer que não havia tantas ilicitudes no meio político quanto agora.
Não sei se havia mais ou menos corrupção. Mas é certo que não havia o rigor da imprensa que hoje está muito mais a vontade para exercer seu papel fiscalizador.
Eu, que iniciei na vida pública em 1972, com 22 anos, e com a ditadura em pleno vigor, não tenho dúvida de que a democracia é muito melhor, mesmo que não funcione na sua plenitude. Também não perco as esperanças de que as coisas possam melhorar. E acho, sinceramente, que vão melhorar.
Nas últimas semanas nos envolvemos em discutir e tomar decisões sobre a eleição do novo presidente da Câmara. Diante de dois candidatos que representam a base governista e que de certa forma, um mais e outro menos, representam a manutenção dos métodos deste Congresso que está terminando, nos unimos em um grupo que tem algumas propostas para recuperar a imagem do Legislativo, tão desgastada nos últimos anos, e dar alguns passos, significativos, aliás, para que a Câmara possa recuperar a sua condição de foro democrático e propulsor de grandes projetos para o desenvolvimento do país.
Entre essas propostas estão: 1) Aprovação do voto aberto no Parlamento; 2) Racionalização e transparência dos gastos da Câmara; 3) Definição de critérios permanentes para a remuneração dos parlamentares, compatíveis com a realidade brasileira, 4) Atualização do Regimento Interno da Casa; 5) Prioridade às Reformas Política e Tributária; 6) Respeito rigoroso aos critérios de real urgência e relevância na apreciação de medidas provisórias, entre outros. Pode ainda ser pouco, mas foi o suficiente para mudar o rumo das discussões em torno da eleição da nova Mesa. Com o lançamento da candidatura de Gustavo Fruet, mudou-se a ordem das prioridades. Em vez de se falar apenas em benefícios aos parlamentares a discussão ética tomou a dianteira. Para aqueles que fizeram suas campanhas baseadas na revitalização do Congresso a mudança de rumo é animadora. É um bom sinal para que as coisas comecem de fato a mudar. |
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