09/09/2005 - Vanderlei Macris
Quando o secretário da Educação, Gabriel Chalita, anunciou a criação do projeto Escola da Família, há cerca de dois anos, imaginou-se logo que poderia ser um daqueles trabalhos sem muito resultado prático. Abrir a escola para a comunidade não significava muita coisa diante de um cenário lastimável em muitos locais, principalmente nas regiões periféricas. A visão mais comum era a de escolas maltratas, depredadas e sem nenhum tipo de relação com a comunidade.
Os pais foram chamados a participar desse projeto, afinal não dá para negar que a instituição é uma extensão do lar. Em alguns locais os filhos passam mais tempo nas escolas do que junto dos pais. A situação mais comum hoje é a do pai e mãe que trabalham o dia todo fora, tendo apenas a noite e os finais de semana para se dedicarem integralmente aos filhos.
Pois bem, com o projeto os pais foram impelidos a entrar na escola, conhecer melhor o local onde os filhos estudam e mais do que isso, participar das atividades voltadas a conservação e a valorização da escola.
Nos finais de semana os alunos voltam à escola, não para o cumprimento da rotina diária de estudos, mas para conhecer outras formas de aprendizado seja através do esporte, das atividades culturais e até mesmo de cursos profissionalizantes. Os pais também participam, se dedicam a manter o espaço físico em ordem seja ajudando na pintura do prédio ou na execução de um jardim.
Na maioria das escolas, em parceria com o Fundo Social de Solidariedade, a secretaria da educação entregou padarias artesanais. As doações da matéria prima são feitas pela comunidade e as mães ou os próprios alunos se encarregam de botar a mão na massa. Do forno da padaria artesanal saem pães, bolos, biscoitos e outras guloseimas que serão revertidos em renda para escola ou para a comunidade carente do bairro. Além disso, a padaria cumpre ainda o seu papel de oferecer curso profissionalizante de panificação, gerando emprego e renda à população carente.
Mas além de tudo isso, um dado divulgado recentemente pela Secretaria da Educação é ainda mais interessante. Diminuiu significativamente a violência nas escolas que fazem parte do programa Escola da Família. Em algumas cidades da região o índice de redução de violência nas escolas ultrapassa 70%. Uma mostra concreta de que quando a comunidade é chamada a participar de atividades sociais na escola ela deixa de ser apenas um equipamento público para se tornar parte da vida dos moradores.
Os pais que participam da escola da família, mesmo que por alguns momentos, induzem os filhos a fazer da escola um local de respeito e dedicação. É com o incentivo a projetos como esse que teremos no futuro menos crianças nas ruas e sujeitas à criminalidade e mais crianças nas escolas, aprendendo e se preparando para um futuro melhor.
Vanderlei Macris é deputado estadual do PSDB